Etno(grafias) do Onírico: quando o arquivo dos sonhos encontra o arquivo das águas
Renata Torres
Resumo
Esta instalação materializa quatro sonhos da minha pesquisa de mestrado em Antropologia Social na Universidade Federal de Goiás (UFG) sobre filmes guiados pelo Rio Corrente, na Bahia. Utilizo a esteira de taboa como suporte, por ter sido o lugar de repouso das mulheres da minha família, conectando o sonhar à linhagem ancestral. A obra é uma “etno-grafia” experimental composta por retalhos de reuso, bordados, sementes e gravetos de boldo seco. Ao bordar questões sobre o “coma colonial” e indagar “para onde vão os sonhos nas pesquisas?”, afirmo o onírico como extensão da realidade desperta e lugar de resistência. É o encontro vivo entre o arquivo dos sonhos e o arquivo das águas que habitam essa pesquisa.

Autor
Renata Torres
Renata Torres é mestranda em Antropologia Social e graduada em Ciências Sociais pela UFG. Mulher indígena em retomada ancestral no Oeste da Bahia e artista multimodal, move-se entre a academia e as encantarias do Cerrado. Pesquisa Antropologia Visual, Narrativa e Águas, com foco em cinema, autoria indígena, ontologias da cura, arquivo dos sonhos. Sua produção cria acervos que rompem a lógica colonial, usando sonhos e matérias visuais para narrar memórias ausentes ou silenciadas no arquivo oficial.