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Caminho de Rio

Arnaldo da Silva Vieira

Resumo

Este ensaio integra pesquisa de mestrado em Sociedade, Ambiente e Território, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG-Unimontes), realizada a partir de caminhadas na mata, nas vazantes e pelos caminhos das águas com os viventes da paisagem do Rio São Francisco, em Januária-MG. A investigação compreende a paisagem como um campo relacional onde gentes, rio, bichos, plantas e encantados produzem vida e território. O ciclo das águas transforma a paisagem e ensina que a perturbação nem sempre é humana. O ensaio entende a fotografia como evento relacional. Produzidas em analógico, as imagens introduzem espera e cuidado, aproximando-se do tempo do rio: plantar, colher e pescar.

Caminho de Rio

Galeria

Imagens do experimento

Autor

Arnaldo da Silva Vieira

Arnaldo da Silva Vieira é mestre, pescador artesanal e vazanteiro, morador do território quilombola de Croatá, no município de Januária, norte de Minas Gerais, às margens do Rio São Francisco. Conhecedor das matas, vazantes e caminhos das águas, construiu ao longo da vida um saber sobre os ciclos do rio, a pesca e a paisagem ribeirinha. Suas narrativas e caminhadas pelo território revelam relações entre viventes, plantas, bichos e encantados, tradutor do mundo da beira do rio. Enedina Souza dos Santos é quilombola, vazanteira e pescadora do Quilombo de Croatá, no município de Januária, norte de Minas Gerais. Reconhecida liderança comunitária, atua na defesa do território, dos modos de vida ribeirinhos e dos direitos das comunidades tradicionais do Médio São Francisco. Sua trajetória reúne saberes sobre a pesca, o cultivo nas vazantes e o uso de plantas da mata, além de uma forte atuação na organização comunitária e na luta por justiça social e ambiental. Gleydson Mota é barranqueiro de Januária, nos Gerais, segue os caminhos do rio, sua paisagem de cheias e secas, em articulação entre arte, cultura e território. Faz parte do Centro de Artesanato de Januária e do coletivo de cinema Cine Barranco, atuando na construção de espaços culturais a partir da memória e da identidade barranqueira. Mestrando em Sociedade, Ambiente e Território pela UFMG–Unimontes, é também economista pela USP. Sua travessia une a vivência da pesquisa, produção cultural e a defesa dos saberes e fazeres tradicionais, feito carranca de boca aberta.